22 de Outubro de 2014

Curtas: Iron Man, Dawn of Avalon (Twilight of Avalon, #0.5) [e-book]

Título: Iron Man
Realizador: Jon Favreau
Baseado nas comics da Marvel por Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway
Atores: Robert Downey Jr., Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Ok, isto já vai tarde mas a minha ideia era ver os dois primeiros filmes e falar um pouco sobre eles. No entanto, como ainda não vi o segundo vamos ficar-nos apenas pelo primeiro.

Pareceu-me um bom filme de ação, ainda que muitíssimo previsível, nomeadamente no que toca ao vilão. A sério, mal aparece numa cena e uma pessoa descobre logo, pelo que o twist acabou por ser completamente irrelevante. Algumas stunts também me pareceram demasiado irrealistas, na medida em que duvido que fosse possível o Tony Stark sobreviver sem qualquer tipo de mazelas mesmo tendo virado um super-herói.

No entanto, o mais interessante de seguir foi mesmo a change of heart (ah!) que se dá na personagem principal e que o Robert Downey Jr. encarnou na perfeição. O homem nasceu para este papel! A mudança é subtil, dando-se em termos de ideais e não de carácter o que tornou a coisa muito realista, tendo em conta tudo pelo que o Tony passa.

Fica a curiosidade para ver os restantes filmes, até porque há os "Avengers" que já vi, mas continuo sem vontade de pegar nas comics do Homem de Ferro. X-Men, Homem-Aranha, Thor, pode ser mas acho que o Tony não será para mim.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

Título: Dawn of Avalon (Twilight of Avalon, #0.5) [e-book]
Autor: Anna Elliott
Ficção | Género: fantasia
Editora: - | Ano: 2010 | Formato: e-book | Nº de páginas: 78 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: em 2011 estava disponível no site da autora e penso que continua.

Quando e porque peguei nele: já tinha tentado pegar nele no ano passado, sem grande sucesso, e voltei à carga este ano pela terceira vez, depois de uma outra tentativa entretanto e do sucesso com Jane Eyre cuja leitura também só à terceira é que foi.

Sinopse

Opinião: Este é um pequeno conto que se centra em Morgana e Merlin mas o seu maior ponto de interesse, para mim, acabou por ser o facto de se debruçar sobre uma parte do mito arturiano que não conhecia, os dragões de Dinas Ffareon. Achei muito interessante o modo como tal mito foi usado, muito credível na medida em que mostra a mentalidade da época na forma como Merlin passa a ser o feiticeiro que conjura dragões.

No entanto, a história em si pouco interesse tem, mostrando uma relação entre as personagens que talvez poderia ser mais trabalhada mas que acaba por resultar nesta situação. As visões de Morgana pouco mais vêm acrescentar ou pouco trazem de novo a uma história já tão explorada.

Não sinto qualquer curiosidade em saber mais e por isso não penso investir no resto da série, de que este conto é uma prequela. O único ponto de interesse parece ser a história centrar-se em Tristão e Isolda, que não sei como se relacionam com o mito de Artur por conhecer pouco ou nada da sua história original. Talvez me debruce primeiro sobre a história deles e logo vejo se valerá a pena ler os livros desta série.

Veredito: Foi gratuito e pouco se perde com isso.

20 de Outubro de 2014

Jane Eyre [e-book]

Autor: Charlotte Brontë
Ficção | Género: romance
Editora: Projecto Gutenberg | Ano: originalmente publicado em 1847 | Formato: e-book | Nº de páginas: | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: Foi dos primeiros e-books que meti no meu Kindle em 2011 e de fiz download no site do Projecto Gutenberg.

Quando e porque peguei nele: entre 1 e 7 de outubro, porque estava de férias, só com o Kindle na mala e este livro pertencia à segunda mini-pilha.

Opinião: Ainda bem que coloquei o livro de lado quando tentei ler a primeira vez mas não o descartei de todo, porque opá é tão bom!

Começo por dizer que o interesse com que o li nem sempre foi o mesmo, houve ali uma parte que parecia que nunca mais acabava, mas tirando isso eu quase que queria devorar o livro e assim que o acabei só me apetecia recomeçá-lo. Acho que já disse que tal coisa não é normal em mim mas foi o segundo livro este ano em que tal aconteceu. Como não querer voltar a um livro com uma protagonista como Jane?

Cedo se percebe que ela é uma pessoa cheia de força interior. Ela basta-se a si própria, tenta tirar o melhor partido das situações que encontra no seu caminho e não tem medo de enfrentar quem a pisa, ainda que a mostarda lhe tenha de chegar ao nariz. Mas foi este último traço do seu carácter com que mais me identifiquei e cobicei-lhe os restantes, sobretudo a sua força porque ela é um portento mesmo que aparentemente muito calma. Claro que só lhe podemos querer bem, até tendo em conta a sua vida e por isso, quando aparece um interesse amoroso só podemos torcer para que a coisa corra bem.

E o que dizer de Mr. Rochester? *suspira* Ai Mr. Rochester... vamos esquecer por momentos o Capitão Wentworth, o Colin Bridgerton e o Tom Hiddleston... há melhor que o Mr. Rochester? Sim, a início pareceu-me algo prepotente e convencido (o que me ri com o "Do you think me handsome?" xD) mas rapidamente os seus diálogos com Jane se tornam os momentos pelos quais se anseia. Parece que andam os dois, mas sobretudo ele, a testar as águas para perceber até onde pode ir, onde é que o outro traça o limite e, mais que tudo, como responderá ela ao que ele tem para oferecer. Adorei ver a interação entre eles, uma relação de iguais apesar de se encontrarem em diferentes situações, com ela na dependência dele por ser sua "inferior" numa hierarquia social. Mas é a igualdade de pensamentos, desejos e ambições que sobressai, e é impossível não torcer por eles, por um amor que também vai tomando conta de nós de mansinho.

No entanto, algo se esconde em Thornfield Hall. Infelizmente não me foi possível, apesar de ter tentado, não me cruzar com a grande revelação da história, mas mesmo assim achei o mistério bem montado e adorei o ambiente gótico da coisa. Numa cena, em que Jane salva Rochester quando a sua cama arde, também dei por mim a olhar para as sombras e cantos escuros do meu quarto e a ouvir com atenção os barulhos da casa, não fosse alguém também tentar pegar fogo à minha cama. xD

Não sendo então surpreendida pelo twist, digamos assim, devo fizer que fui surpreendida pelo resto da história e sobretudo pela reação de Jane à grande revelação. O que se segue foi a parte que menos gostei, nem tanto por ser demasiado conveniente (ia revirando os olhinhos) mas sobretudo porque Jane com St. John parece perder algum do seu fogo. St. John foi mesmo a personagem que menos gostei e cada vez que aparecia fazia-me querer dar-lhe um par de estalos e até pousar o livro. :/

O resto é história, os pecados e más ações são redimidas (sim, porque não é por gostar do Rochester que penso que ele estava certo ao fazer o que fez) e os justos recebem o que sempre desejaram. Já eu desejo ler mais desta irmã Brontë tendo gostado bem mais deste livro do que do de Emily. Se achei que O Monte dos Vendavais seria algo muito idealizado, não encontrando a autora nas suas personagens e escrita, aqui senti que Jane e Charlotte seriam uma só.

Veredito: Para ter na estante. Há livros que nos fazem lembrar porque é que gostamos de um determinado género, este relembrou-me porque gosto de clássicos. E que há livros que não devem ser lidos só porque sim, porque toda a gente já leu, mas que têm o seu momento para serem lidos. Têm que nos encontrar na altura ideal.

18 de Outubro de 2014

The Iron Seas #0.4 a 3

Aviso à navegação, isto vai ser longo. Se não quiserem ler tudo, no final têm um resumo. :D

Autor: Meljean Brook
Ficção | Género: Steampunk
Editora: Berkley | Ano: 2010 a 2012 | Formato: livros e e-books | Nº de páginas: várias... | Língua: inglês

A série no Goodreads

Opinião: Estava resolvida a continuar esta série, até porque o novo livro saiu este ano em 8 partes e vai sair agora publicado numa só edição em novembro. No entanto, tendo em conta que me apercebi que não tinha lido alguns contos, queria reler os livros anteriores e, por uma qualquer razão, não estava a conseguir entrar no terceiro volume, lá dediquei o último mês a esta série. 

Comecei pelo conto The Blushing Bounder que, apesar de cronologicamente anterior aos restantes, não servirá de modo algum como introdução a este mundo, aprofundando apenas o conhecimento de algumas personagens, no caso o Constable Newberry, com que nos cruzamos no primeiro livro da série e a diferença entre "bounders" e "buggers", dois termos que identificam duas realidades e duas mentalidades bastante diferentes e que, de certa forma, definem este mundo. Por isto, é aconselhado que realmente já se tenha lido o primeiro volume, até porque pouco ou nada se perde em não ler este conto. É fofinho, sim, mas muito pouco explorado em termos de personagens e situação, sendo esta última rapidamente resolvida. 

Seguiu-se outro conto, Here There Be Monsters, que em 2011 me deu a conhecer esta história alternativa, assim como o entusiasmo contagiante da Telma que recomendou a série. Nem por isso é um conto em que se entra bem pois, como acontece com muitos livros de Fantasia e Ficção Científica, somos como que despejados num mundo em que temos que perceber como este funciona mas acaba por valer o esforço de ler com bastante atenção. Apesar de seguirmos a história de Mad Machen e Ivy, somos também apresentados a outras personagens que aparecem como protagonistas em algumas das histórias que se seguem, e a algumas que espero vir a conhecer, como o Blacksmith. A relação entre Machen e Ivy pareceu-me melhor explorada que a do conto anterior e, no geral, a história acaba por ser também ela bem mais emocionante. Para quem quer dar um saltinho a este mundo steampunk, este conto parece-me ser a melhor escolha (e aconselhado pela própria autora) porque mostra exatamente o que esperar das restantes histórias, já que de certa forma a fórmula se repete. E isto não é uma crítica negativa, todo o livro com uma forte componente de romance acaba por ser semelhante, mas tudo o resto dá um cunho bastante original e a história deste conto fez-me querer ler os restantes.

Já depois de ter lido tudo me apercebi que havia um outro conto, The Hook, disponível no site da autora. Este não tem romance mas acaba por ser uma (muito) pequena história engraçada de ler, com Mina e o Constable Newberry. Até gosto da interação entre ambos e não me importava de seguir alguns dos casos que os dois encontram.

Chegamos então ao primeiro livro editado, o The Iron Duke. Tive oportunidade de falar dele no blog da Telma (aqui e aqui) e com as meninas do Clockwork Portugal, pelo que pouco mais tenho a acrescentar. De facto, foi curioso mas ao reler tanto os livros como os contos fiquei com a mesma sensação que tive ao ler da primeira vez. Ok, talvez tenha ficado irritada mais depressa com as atitudes dos alpha males, que muitas vezes são de revirar os olhinhos e desejar dar-lhes bofetadas na cara com uma cadeira para ver se deixam de ser estúpidos, mas as personagens femininas compensam alguma dessa idiotice. Mina, a protagonista deste livro, é um bom exemplo sendo alguém que chegou ao cargo que ocupa por o merecer, ainda que tenha o mundo contra si por ter traços mongóis e ser assim vítima de vários insultos e mesmo racismo. Ao longo deste livro, mais que a relação entre as personagens, é sobretudo explorado este mundo, sendo então dado a conhecer o que levou ao domínio da Horda Mongol, como é que a Inglaterra ficou livre desse domínio e as consequências de tal coisa. 

Muito basicamente, há uma evolução tecnológica a oriente e a Horda Mongol desenvolve muito cedo a nanotecnologia, aproveitando o comércio do açúcar e do chá para contaminar a população europeia com nanoagentes que vão transformar pessoas em zombies ou controlar as emoções de outras através de um sinal de rádio para que não se manifestem contra o regime. Isto tudo para conseguirem acesso livre a matérias-primas, como a madeira, e mão-de-obra barata. Os que conseguem fugir à invasão assentam arraiais no Novo Mundo, onde formam colónias que prosperam mas onde há também alguns conflitos e tensões para fortalecer posições. Se quiserem, podem ficar a saber mais no site da autora

Tanto o livro como o conto Mina Wentworth and the Invisible City, mostram então como é que os personagens aprendem, sobretudo, a lidar com as emoções que entretanto descobrem e tanto os domina, seja ele o amor ou o medo de perder quem amam. Convém também dizer que estes livros têm uma personagem que devia ter o seu próprio livro! Scarsdale! <3 

O segundo livro, Heart of Steel, continua a ser o meu preferido. Tem duas das personagens que mais gosto (para além do Scarsdale), Yasmeen e Archimedes, e a química entre eles é do melhor que há. Archimedes, felizmente, não é um alpha male e deixa Yasmeen, que não tem nada de damsel in distress, ser quem ela é sem se sentir inferior ou ameaçado por ela. No entanto este livro tem um defeito e nesta segunda leitura voltei a sentir isso. Há uma crescente tensão enquanto se vão aproximando de Rabat, já que Archimedes é afetado pela torre daqueles local, mas de repente está tudo resolvido. Acabamos por não ver como é que ele, ou qualquer outra pessoa, é afetado pelas ondas de rádio e, num mundo tão bem construído e que a cada livro nos apresenta algo mais, acabou por saber a pouco. É por isso a única coisa que tenho a apontar porque de resto, como disse, a química é excelente e acaba por ser um livro de aventura com cheirinho a Indiana Jones. :D 

Um bocadinho abaixo está o conto Tethered, pois se acaba por mostrar o que eu queria ver no livro que o antecede, Archimedes com as suas emoções dominadas pelo sinal de rádio da Horda e que nos ajuda a perceber porque é que ele é uma espécie de "adrenaline junkie", já a Yasmeen pareceu faltar alguma coisa, alguma força interior e impetuosidade que tanto estava presente nas histórias anteriores. Mesmo assim é um bom epílogo de Heart of Steel

Por fim, li Riveted, que espero venha a ser um sinal de que pode haver livro do Scarsdale. :D Sim, gosto mesmo do personagem e quero TANTO conhecer a história dele. Ele não entra neste livro mas um dos temas que aqui é abordado pode e deve ser explorado numa história com o Scarsdale. Este livro centra-se em Annika e David, personagens que não têm qualquer ligação com as dos que conhecemos até agora, e a história tem lugar num cenário completamente diferente, na Islândia. Apesar de, mais uma vez, ter gostado bastante, tenho de confessar que não me cativou como os restantes. Ainda pensei que fosse alguma saturação, por ter lido tudo de enfiada, mas acho que não. Annika, apesar de uma mulher forte e de feitio único, com uma mente muito aberta, acaba por ser muito pouco interessante quando comparada a Yasmeen ou Mina. Não senti grande empatia para com ela mas a sua relação com David pareceu-me bem conseguida, ainda que ande ali à volta do confio/não confio, não havendo grande tensão como com os casais anteriores e aborrecendo um pouco ao fim de algum tempo. A tensão vem mais do segredo que ela guarda e acabo por questionar se a história não teria sido mais empolgante se seguisse a irmã dela. :/ Isto não quer dizer que seja um mau livro mas tendo em conta os anteriores esperava algo mais. Em termos do mundo, o alargamento a zonas até aqui pouco ou nada exploradas e mostrando comunidades que vivem segundo princípios muito próprios, assim como o efeito da chegada dos europeus ao continente americano (ainda que de forma muito subtil através da família de David) foi uma aposta ganha, a meu ver. 

Ficam ainda um conto e um livro por ler, mas até agora esta série tem tido mais altos que baixos e, consequentemente, tem sido muito agradável descobrir este mundo onde o steampunk reina e onde há vapor por todo o lado, seja gadgets ou relações. :) 

Veredito: Vale o dinheiro gasto mas no conjunto acaba por ser Para ter na estante. Para quem não teve paciência para ler tudo, fique a nota de que apesar de estes livros terem uma forte componente romântica, que isto não afaste um potencial leitor! É certo que tem cenas (muito) quentes e pares amorosos, mas tem tão mais que isso!

O worldbuilding é excepcional, muito detalhado e deixa uma pessoa curiosa por descobrir mais sobre o mesmo. Em alguns dos livros que tenho lido, o steampunk é quase unicamente um artifício para justificar a existência de alguns gadgets, enquanto que nesta série é uma parte fundamental deste mundo, define-o e levanta várias questões que são exploradas ao mesmo tempo que o romance. Há um bom desenvolvimento das personagens, já que é necessário confrontarem medos interiores e ultrapassar alguns obstáculos que levam ao tão esperado final feliz. Destacam-se sobretudo as personagens femininas que fogem do modelo damsel in distress e que de certa maneira leva com que os personagens masculinos, que veem nelas o ser que os completa, se esforcem por serem dignos delas.

E acho que é isto, até porque fartei-me de escrever. :P

17 de Outubro de 2014

Booking Through Thursday: Shakespeare

Hoje não é quinta, esta semana não houve pergunta, ontem esteve a dar uma adaptação e lembrei-me que não tinha respondido a esta questão, por isso aqui fica...
Okay, show of hands … who has read Shakespeare OUTSIDE of school required reading? Do you watch the plays? How about movies? Do you love him? Think he’s overrated?
Eu! Eu! o/ Primeiro, nunca li Shakespeare para a escola porque o senhor não escrevia em português, logo não era estudado. :P Apesar de já muito antes ter visto alguns filmes, só nos últimos anos comecei a ler as suas peças e tive mesmo a oportunidade de vê-las representadas no teatro. E eu adoro o senhor.

Ainda ontem comentava com a Diana (que tal como eu parece ter um sexto sentido que adivinha quando é que o "Romeo + Juliet" está a dar na televisão) que quero ler tudo o que ele escreveu, é um dos meus projetos de vida assim como ler os 1001 livros antes de morrer, pois de cada vez que leio ou vejo algo dele (mesmo um filme que já vi inúmeras vezes) mais aprecio a obra do homem. Encontro sempre novos sentidos, frases que naquele momento parecem refletir algum pensamento meu ou que me tocam de forma diferente. Estou constantemente a ser maravilhada pelas suas palavras, histórias e personagens. Pela sua atualidade, mesmo 450 anos depois de ele ter nascido.

Não, não acho que ele seja overrated. Acho mais que justificado que a sua obra tenha perdurado, e acredito que perdure ainda mais, no tempo. Ele atingiu a verdadeira imortalidade contando de que matéria são feitos os sonhos.

15 de Outubro de 2014

Quando não estou a ler (15)

Eu ainda hei de escrever sobre Paris (ou então não :P), a minha primeira viagem de avião e a primeira vez que saí de Portugal, mas por agora fiquemo-nos pela terceira expedição para fora deste retângulo à beira-mar plantado.

Desta vez não foi preciso apanhar avião já que o salto foi até aqui ao lado, ao país de nuestros hermanos, para conhecer uma cidade pela qual ansiava desde que frequentei a universidade. Tenho de começar por dizer que sou aquela estudante de arqueologia rara, que pouco se deixava fascinar pela grandes civilizações antigas que não a grega. Claro que tinha curiosidade, e ainda tenho, sobre egípcios por exemplo, mas nunca pensei seriamente em fazer da Egiptologia a minha carreira. E o mesmo se poderia dizer dos romanos… até que me dei de caras com a cerâmica sigillata (nunca pensei que fofinho pudesse descrever cerâmica, mas a sigillata é fofinha *Carla tem noção de que é agora que vai ser internada*) e a espectacularidade dos aquedutos e outras das suas construções. Posto isto, claro que só poderia querer ir a Mérida! E felizmente tive agora essa oportunidade.

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Vista da Alcazába sobre o Guadiana,
com as pontes à direita
A viagem começou pela tarde, já que ainda tive de ir trabalhar de manhã, e depois do que pareceu uma eternidade lá chegámos, eu e o meu irmão (que tirou todas as fotos que ilustram este post, porque ele sem dúvida tira melhores fotos que eu), ao destino. Aproveitámos que os dias ainda são longos, embora chuvosos, para ficar a conhecer um pouco a cidade e tirámos logo uma série de coisas da nossa lista de coisas a ver. Começámos pela Alcazába que tem vestígios de época romana, muçulmana e renascentista, assim como uma vista fenomenal sobre o Guadiana e duas das suas pontes, a romana e a moderna chamada Lusitânia. Seguidamente dirigimo-nos à ponte romana e ficámos pasmados pela quantidade de pessoas que andava pela rua, sobretudo a passear cães. A sério, pudemos constatar que quase toda a gente tem cão, adoram comer pipas, não devem fazer refeições porque estão sempre a petiscar e adoram estar na rua. Pelo menos a Plaza de España estava sempre cheia de gente de todas as idades, sobretudo à noite.

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Templo de Diana
Continuámos o nosso passeio e pareceu difícil não dar com ruínas em quase todos os cantos. Demos uma vista de olhos ao Templo de Diana, que tal como o nosso devia ser dedicado ao culto imperial, e reaproveitado posteriormente por visigodos e muçulmanos, passámos pelo templo do Fóro e pelo Arco de Trajano, e ainda antes de acabar a noite passámos pela ponte Lusitânia. Uma nota, pareceu-me tudo muito bem conservado e as estátuas em todos os complexos pareceram tratar-se de réplicas, estando as originais no Museo Nacional de Arte Romano (MNAR).

O dia seguinte começou pela fresca, com uma visita ao, pareceu-me, o maior complexo de ruínas da cidade. Falo claro do complexo do Teatro e Anfiteatro e o que mais tinha curiosidade de ver. As expetativas não saíram goradas.

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No Teatro a vista para a plateia
O Teatro pareceu-me muito bem conservado e achei muito bom ver que ainda hoje é usado no Festival que tem lugar todos os anos. Como não podia deixar de ser, uma das peças que esteve em cena foi do Shakespeare, "Coriolanus", e tive pena de já não estar em mostra quando fui, estava antes uma zarzuela, "Luisa Fernanda", que acabou por ser cancelada devido às previsões de chuva. Não tinha comprado bilhetes sobretudo porque pensei que o mano não estava interessado, no entanto, também ele ficou fascinado pelo que numa outra oportunidade contamos voltar para ver uma peça ali representada. A casa do Teatro também está bem conservada, havendo mesmo frescos nas paredes.

O anfiteatro está um pouco pior conservado, não restou tanto da sua plateia, mas mesmo assim impõe respeito, sobretudo tendo em conta que ali lutavam gladiadores e seria um dos pólos que mais atrairia público. Infelizmente a casa do anfiteatro encontrava-se fechada devido a obras para colocação de uma cobertura.

Prosseguimos então para o Circo, o outro pólo aglutinador de maior público (o teatro seria mais para elites e teria demasiada propaganda para o gosto do maior público) e apesar de já não ter as bancadas, deixem que vos diga que a pista é enorme! Cerca de 400 por 115 metro (sim, estou a fazer uso de cábulas) e parece que percorriam a distância em poucos minutos. Estas são obras monumentais e só estando no meio delas é que se percebe o talento daquelas gentes.

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Aqueduto de Los Milagros
Continuámos então o passeio pela cidade de Mérida, onde parece que não nos podemos virar sem nos depararmos com uma ruína. Passámos pelo aqueduto e termas de San Lázaro, ruínas visigóticas, fomos depois ao Templo de Marte e às criptas da Basílica de Santa Eulália. Dirigimo-nos então ao Aqueduto de los Milagros e à ponte romana aí próxima, seguindo depois para o Castelum Aquae. Esta vossa amiga já estava a ficar de mau humor (porque fome!) e depois de uma pausa para comer qualquer coisa (croquetes de presunto <3 ) lá seguimos para o MNAR.

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Um dos mosaicos expostos no MNAR.
Já conhecia o museu através de catálogos, dei entrada de muitos deles na biblioteca onde trabalho, mas ainda assim fiquei maravilhada com a quantidade de luz que há no espaço. É fantástico poder olhar para as peças com luz natural e achei que era um espaço bastante acolhedor, apesar do pé alto e do tijolo. As peças, como também não podia deixar de ser, são bastante impressionantes, nomeadamente os panos de mosaicos que ocupam paredes inteiras. Aqui foi então possível ver as estátuas originais, assim como outros vestígios, retirados dos seus locais de proveniência de escavações por toda a cidade, para melhor serem conservadas. A exposição pareceu-me bem conseguida, dando a conhecer os diferentes aspetos da vida de uma cidade romana. E como nem aqui poderia deixar de ser, apesar de ser um edifício novo, com cerca de 25 anos, também nos seus alicerces se encontram ruínas que podem ser visitadas.

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Ligação entre a Casa de Mitreo e Columbários
Depois do museu voltámos à rua, onde passámos pelas ruínas de outras termas com um poço de neve, por um canal semelhante às levadas que vejo na terra dos meus pais, entrámos também na Casa de Mitreo, muito bem conservada e magnífica (fez-me lembrar quando participei em escavações de uma villa romana em Frielas) e visitámos também os Columbários, que são como que jazigos. Infelizmente as minhas pernas já não davam para mais pelo que depois de passar pela Praça de Touros, fomos buscar mais uns granizados de limão (em que ia ficando viciada) e sentámo-nos um pouco à beira do Guadiana para descansar. Com as forças recuperadas, fomos visitar mais umas ruínas, onde alguns sectores ainda parecem encontrar-se em escavação. Vimos depois o Augusto, numa rotunda frente à ponte Lusitânia e por fim visitámos o Núcleo Visigótico, que acabou por ser o mais fraquinho de tudo o que vimos.

No domingo, antes do retorno a Lisboa, ainda em Mérida mas já longe do centro da cidade, visitámos o Embalse de Proserpina, uma barragem de época romana que fazia chegar a água a Mérida através do Aqueduto dos Milagros e que é também impressionante. A albufeira é enorme e a água refletia o céu. 

Já em Portugal, ainda demos um salto a Évora, onde consegui visitar a Sé! Em duas ou três visitas, que me lembre, a Évora encontrei-a sempre fechada ou não visitável porque estava a decorrer a missa. A vista que se tem de lá do cimo sobre a cidade é fabulosa, no que toca ao interior o claustro é agradável, ainda que não desse para ir para o jardim, e quanto à nave em si, sinto que Notre Dame estragou-me para tudo o que é igreja, mas não deixei de a achar bonita, sobretudo a zona do altar. Tivemos que passar junto ao "nosso" Templo de Diana e aproveitámos também para visitar o Museu de Évora, onde estava exposto um retábulo de que só conhecia partes, algumas por radiografias e isso, já depois de ter sido restaurado e estudado, esse estudo esteve exposto num outro Museu em que tive oportunidade de trabalhar. Depois de almoçar e de mais um breve passeio pelo centro histórico, passando pelo aqueduto, lá rumámos a Lisboa e a casa.

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Rua em Mérida
Fiquei fascinada pela cidade de Mérida, pela maneira como as ruínas me pareceram bem tratadas, na medida do possível, já que estando tantas estruturas ao ar livre acaba por ser difícil haver um melhor controlo tanto de pessoas como do ambiente, de modo que havia algum lixo e algumas tabuletas de explicações estavam queimadas pelo sol. Mas pelo preço, 12 euros para visitar os maiores complexos, gratuito para muitas outras ruínas espalhadas pela cidade, não se pode pedir mais. Até achei foi uma pechincha! Mas não me ouviram dizer isto. Não sinto que tenho de lá voltar, como sinto com Londres e Paris, mas mesmo assim gostaria de o fazer, nem que fosse só para ver uma peça de teatro a ser representada no palco do Teatro Romano. :)

13 de Outubro de 2014

Só Ler Não Basta #20.1 - Leituras de Outubro


Depois de um breve interregno de um mês por motivo de férias, o SLNB está de volta, assim como os problemas técnicos (estava a ver que a coisa ia para o ar sem mim) e as conversas longas com muita maluqueira pelo meio. :D Lançamos também o tema do mês, que se debruçará sobre aqueles livros que poderiam ser utilizados como armas de arremesso. Ou seja, falaremos de calhamaços.

Podem deixar, como sempre, a vossa opinião sobre o tema no nosso grupo do Goodreads, podem encontrar um índice da conversação no Youtube e seguir-nos no Google+.



Artigos interessantes:
Telma: Ellora Cave sues Dear Author
Diana: Nobody Cares What You Read
Carla: Ler para outrém

Leituras:
Telma: The Last Hour of Gann de R. Lee Smith e Cidade dos Ossos de Cassandra Clare
Diana: Beloved de Toni Morrison, The Gospel of Loki de Joanne Harris e Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas
Carla: Série The Iron Seas de Meljean Brook, Jane Eyre de Charlotte Brontë, Dawn of Avalon de Anna Elliott e For Darkness Shows the Stars de Diana Peterfreund

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