18 de Setembro de 2014

Booking Through Thursday: Família

A pergunta desta semana é...
Do other people in your family also like to read? Or are you in this on your own?
Acho que já por aqui disse que a minha mãe em tempos leu bastante, hoje nem por isso preferindo dedicar o seu tempo a outras coisas, nomeadamente séries televisivas policiais (vê tudo o que é "Lei e Ordem", "Mentes Criminosas", "CSI" e outras coisas que tais), assim como malha e/ou costura. No entanto passou-me o bichinho. :P

Reza a história que o meu pai também já leu em tempos, e há dois volumes de Guerra e Paz cá por casa que parecem atestar isso, mas eu só posso dizer que já o vi ler revistas e jornais. Tal como o meu irmão aliás. Quer dizer, eu cheguei a ver o meu irmão ler 3 livros do Harry Potter e fez algumas leituras escolares, mas o rapaz é mesmo mais periódicos e alguma banda desenhada de vez em quando.

16 de Setembro de 2014

Under the Skin

Realizador: Jonathan Glazer
Baseado no livro Under the Skin de Michel Faber por Walter Campbell e Jonathan Glazer
Atores: Scarlett Johansson

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Estranho. É a única palavra que me vem à cabeça para definir este filme. Nem sequer consigo falar sobre o desconforto que senti a ver o filme porque estranho acaba por também tomar conta dessa emoção. Foi um desconforto estranho. :/

Não haja dúvidas, a imagem é belíssima e a Scarlett parece-me excecional no papel, é uma atriz que de filme para filme me vem a surpreender. A banda sonora também me pareceu muito bem conseguida, contribuindo para o estranhíssimo sentimento de desconforto que o filme provoca, sobretudo por ser pautado por tantos momentos de silêncio. A sério, o silêncio é quase uma constante na minha vida e este não foi o primeiro filme escasso em diálogos que vi, mas aqui o silêncio perturbou-me, não consigo dizer porquê.

Neste filme seguimos uma mulher aliénigena que vai conduzindo pela Escócia fora e aborda homens sós, ou de quem ninguém daria pela falta, para um propósio que não é bem definido apesar de nos ser apresentado. Apercebemo-nos de que ela seguirá uma qualquer missão e que só isso lhe interessará, e que não sente qualquer empatia para com os outros, como mostra a cena da praia que chocou-me, confesso. No entanto, acaba por encontrar por acaso alguém que, apesar de ser humano, também não parece pertencer à Humanidade, sendo marginalizado, o que a leva a questionar também a sua pertença. Com isto, ela passa de predador a presa.

E o filme, muito resumidamente é isto mas é tão mais, mas não consigo mesmo falar de forma coerente sobre ele, sobre o desconforto e estranheza que provocou, mas há quem o tenha feito melhor que eu aqui e aqui. Gostaria de recomendar o filme mas não me parece ser para todos. A mim, garanto, deixou-me com vontade de o rever (ou ler o livro), apesar de ter consciência que não é uma segunda revisão do filme que me vai fazê-lo compreender ou deixar de sentir a estranheza, mas acho que é por isso mesmo que é um bom filme. Nem tudo tem de ser explicado.

Isto faz sentido? Não? Se calhar também não é para fazer. :/ 

Veredito: Vale o dinheiro gasto? Nem eu sei bem.

10 de Setembro de 2014

O Resgate do Soldado Ryan

Realizador: Steven Spielberg
Escritor: Robert Rodat
Atores: Tom Hanks, Edward Burns, Matt Damon

Mais informação técnica no IMDb.

Opinião: Adoro (e dizer isto soa-me sempre mal) ver coisas que se passem ou se debrucem sobre a 2.ª Guerra Mundial. Nunca li muito mas em termos cinematográficos e televisivos tem dado origem a muita coisa boa. No entanto, coisas há que surgem e retratam a época mas que pouca ou nenhuma curiosidade tenho em ver e este filme era uma dessas coisas. Sim, acho que já disse por diversas vezes e volto a repetir, por vezes apetece-me esbofetear o meu "eu" passado.

Para começar tenho de falar do meu... eu não diria ódio porque não conheço o senhor, pelo que é mais um "não ir à bola com a cara" do Tom Hanks. Não consigo explicar porquê, há simplesmente pessoas com quem não consigo simpatizar e ele é uma dessas pessoas, pelo que o facto de ser um dos protagonistas tirou qualquer vontade (que como disse nunca foi muita) de ver o filme no passado. Mas o meu irmão, como guru de muita coisa que tem qualidade (vês, eu até falo bem de ti :D), lá me obrigou a ver o filme quando percebeu que vivia debaixo do mesmo teto com alguém, aparentemente tida por ele, herege. :D E sim, agradeço-lhe o ter-me obrigado a ver porque, Tom Hanks à parte, este é um épico filme de guerra. Nem que o filme fosse apenas os 20 minutos iniciais! Aquilo é uma cena brutal e um dos melhores retratos (parece-me) de uma batalha. Aquilo é cruel, um autêntico massacre e perante imagens como esta pergunto-me constantemente como é que raio esta gente não parece aprender? Como é que volta e meia há conflitos e se permite que coisas destas aconteçam? Como é que se dá tão pouco valor à vida humana? Enfim...

A premissa parece-me um pouco irrealista, apesar de a entender e até considerar nobre tal ato, mas como os personagens não pude deixar de questionar se um deles valia assim tantos homens. Mas tirando isso, ou até por causa disso, este é um muito bom filme e junto-me ao coro do pessoal que não entende como é que o "Shakespeare in Love" ganhou o Óscar de Melhor Filme. Adoro o filme e curiosamente tem outro ator com o qual não simpatizo, o Joseph Fiennes, mas é de longe um filme inferior, mesmo só considerando os tais vinte e pouco minutos iniciais.

Veredito: Vale o dinheiro gasto.

9 de Setembro de 2014

Jonathan Strange & Mr Norrell

Autor: Susanna Clarke
Ficção | Género: fantasia histórica
Editora: Bloomsbury Publishing PLC | Ano: 2005 | Formato: livro | Nº de páginas: 1006 | Língua: inglês

Como me veio parar às mãos: foi comprado há anos, ainda antes de ter o blog.

Quando e porque peguei nele: entre 13 e 22 de agosto, aproveitando o facto de estar de férias para me atirar a um dos livros mais grossos que tinha por casa, já que estou decidida a acabar com a incontável pilha. A coisa vai devagarinho mas o importante é que continue.

Opinião: Lembro-me de esta ter sido uma compra por impulso. Na altura andava na faculdade, não havia a quantidade de blogs que há hoje sobre livros e por isso pouco ou nada sabia sobre o livro, mas as capas branca e preta tinham-me chamado a atenção, como depois a vermelha, mas foi só quando vi esta coisa bela é que me decidi que vinha comigo. Nem sequer li muito bem a sinopse, ou pelo menos só me recordo que falava sobre dois mágicos, e pouco interesse tive em ler críticas posteriores à sua compra, a não ser que fossem de pessoas cujos gostos conhecia. Até hoje consegui estar afastada de spoilers e apesar de ver por diversas vezes o livro a ser recomendado, tentei sempre fugir de tudo o que dissesse respeito ao livro. Parece-me que às vezes faz bem desligar, não ter qualquer tipo de expetativas e assim poder gozar de um livro como o fazia antes de estarmos todos ligados. E como soube bem.

A única coisa que sabia, para além de ter dois mágicos em pleno séc. XIX, era que este livro tinha notas de rodapé enormes. Mesmo assim surpreendeu-me que algumas fossem mesmo gigantes, por duas páginas ou mais. Sei que houve quem não gostasse disso, por distrair do enredo principal, mas eu até achei piada, dando um cunho muito pessoal ao livro, que parece-me tentar ser um "livro de história da magia", para além de dar a conhecer alguns à partes daquele mundo curioso. Não terá sido pelas notas, mas durante a leitura era fácil imaginar que tudo aquilo poderia ser verdade. Tal como com o Harry Potter ou Stardust a magia é tão subtil que parece que de facto pode estar a toda a nossa volta. Achei por isso imensa piada ao facto de Strange ajudar, por exemplo, Wellington durante a Invasão Francesa, fazendo estradas que desapareciam após o exército britânico passar, mudando rios e cidades de sítio, e outras coisas do género. :D Também achei piada ao conceito de "Englishness" e de como as coisas seriam ou não próprias de um gentleman inglês, havendo algumas frases bem engraçadas.

No entanto, o que mais gostei foi de como a história se vai desenrolando lentamente. Sim, quando estava a ler a coisa era algo frustrante, parecia que nada acontecia e que os acontecimentos não tinham qualquer tipo de ligação, mas fiquei tão embrenhada naquele mundo que depois, quando as coisas começam a ligar-se e a fazer sentido, não queria que acabasse. Queria continuar a seguir aquela dupla de mágicos com uma ligação tão peculiar. E isso foi outra coisa que me surpreendeu. A sinopse fala em rivalidade, pelo que julguei que seria algo do tipo Dumbledore/Voldemort mas não, deve-se mais ao choque de ideias e personalidades e é engraçado ver como isso afeta a relação entre ambos, assim como com outros, e leva ao desenvolvimento das personagens. Devo também dizer que as personagens que dão o nome ao livro foram as de que menos gostei, apesar de serem de facto as que mais sobressaem, mas as secundárias, como Stephen, Lady Poole e, sobretudo, Childermass, foram as que mais me conquistaram. É das tais coisas, são quem menos se pensa que realmente interessa no plano global das coisas, quem se tem muito em conta só faz asneiras. :) Enfim, fez-me pensar em algumas outras histórias, nomeadamente LOTR e HP, onde a humildade é recompensada.

Posto isto, e ainda assim achando que nada do que escrevi faz justiça ao livro, penso que este será um dos melhores livros que li este ano, que se tem mostrado até bastante frutífero em boas leituras. Foi com imenso gosto que voltei a mergulhar em fantasia, porque às vezes parece que é preciso lembrar-me de porque é que gosto de determinadas coisas. Depois de o ler só me apetecia voltar ao início e começá-lo de novo, o que é raro acontecer comigo e por isso é dizer muito de um livro, sobretudo de um com tal número de páginas e com um ritmo bastante lento. Só me pergunto que outros tesouros terei eu.

Veredito: Para ter na estante.

5 de Setembro de 2014

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